Como você está? Hoje eu estou muito bem obrigado

As pessoas me perguntam: “como você está?”. Às vezes eu respondo “tô bem” e vejo, na minha cabeça, quão egoísta e desapegada eu devo parecer, dizendo que estou bem sim, mesmo depois de ter terminado um namoro tão longo.

Vão achar que eu não dou a mínima, que provavelmente já estou com outra pessoa, que eu nem devia amar tanto assim mesmo. São essas coisas que passam na minha cabeça quando digo um simples “tô bem”.

Como você está? Hoje eu estou muito bem obrigado

Às vezes, eu respondo “não muito”, seguido do pensamento de quão egoísta e vítima eu posso estar parecendo, afinal, foi uma decisão minha, provavelmente eu devo estar querendo chamar atenção, me sentir querida pelas pessoas, ouvir quão “corajosa” eu fui de ter feito isso, “afinal muita gente espera ficar muito ruim até ter motivos de fato pra terminar”. É por isso que normalmente as pessoas não curtem esse tipo de pergunta.

Você nunca a responde sem imaginar que cada uma das respostas será carregada de significados ocultos -que podem estar só na nossa cabeça, como também na das outras pessoas. E claro, tem várias pessoas que simplesmente perguntam por perguntar, e realmente não estão nem aí pra sua resposta.

Pra mim, não é fácil responder. Simplesmente porque é muito mais complicado do que uma simples resposta pode dar conta. E porque tem dias que estou bem sim. E tem dias que fazem com que eu pense que fiz tudo errado.

É mesmo muito complicado. Muita mais do que eu poderia imaginar. Do que qualquer um pode imaginar antes de passar por isso pelo menos uma vez.

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Claro que eu queria vir aqui e dizer que entendi tudo.

Mas eu ainda não entendi. Eu estou uma bagunça nesse momento, porque… Porque ainda dói. E se as coisas fossem simples, não doeria mais. E as lembranças magicamente sumiriam da nossa cabeça. E as músicas não nos fariam reviver todos aqueles momentos. E cada mínimo detalhe viraria novamente uma página em branco pra que pudéssemos preenchê-la novamente com o tempo.

Mas quando a gente sente que o amor acabou, todo o resto continua lá. Continua existindo. E continuamos vivendo tudo isso. E tendo que agir como se aquilo não nos atingisse.

Mas atinge.

Imagine que você vive uma vida e tem uma parte nela que te machuca. E você tira. Dói, porque era uma parte de você. Mas te fazia mal, então quando você se livra daquilo, por mais que tenha sido doloroso, você se sente melhor. Muito melhor. Maravilhosamente melhor.

Agora imagine que você vive uma vida boa. E você tira uma parte dessa vida boa. Não porque ela te machuque ou te faça mal. Na verdade, ela só te fez bem. Só te proporcionou coisas incríveis. Mas de alguma forma, com o tempo, ela não se encaixa mais ali. E você tira. Porque você não quer que essa parte quebre, então é melhor tirar.

E não tem a sensação de alívio. Por um tempo, é só aquele vazio que vai existir por ali.
Depois, sim, outras memórias e outras histórias vão ocupar aquela parte.
Mas por enquanto, é só o vazio. É estranho, é complicado, e dói porque eu tirei uma parte que não fazia mal pra mim.

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Eu tirei uma parte boa.

E eu tenho que aprender a viver minha vida sem ela. Sem ele nela.