Vou me dar o direito de falar com vocês

Sou uma pessoa naturalmente otimista. Quase sempre consigo ver o copo meio cheio, olhar pro lado bom das coisas, enxergar uma chance em alguma chatice, fazer do limão, uma limonada.

É bom ser assim, não é ruim não. Isso faz com que muitos dos dias que eu tenho, que poderiam ser classificados como “ruins” pelos pessimistas, entram no meu arquivo, no mínimo, como “podia ter sido pior“. É um jeito de viver que fui aprimorando com o tempo. Fui uma adolescente reclamona e que achava que sua vida era uma droga, mas sou uma adulta muito feliz com a vida que tem.

Vou me dar o direito de falar com vocês

Mesmo com tudo o que tem me acontecido nos últimos tempos. Nada absurdo, nada realmente problemático ou que vá me causar uma cicatriz pela vida toda. Mas ainda assim, coisas doloridas. Coisas que me machucaram ou ainda me machucam. Problemas fáceis de resolver e alguns problemas que não dependem de mim, portanto, quase ruas sem saída na minha frente.

No fim do ano, fiz um vídeo falando dos 25 fatos mais marcantes do meu 2015. Olho pra ele e vejo uma pessoa otimista. Uma pessoa que está tentando viver sua vida da melhor maneira que pode.

Nesse exato momento, queria ser completamente aquela Stephanie. Queria enxergar o lado bom, ou ao menos, o aprendizado.

Mas decidi que não. Não agora, não hoje.

Hoje vou me dar o direito de não ser otimista. Vou me dar o direito de sofrer e chorar o que eu tiver que chorar. Eu posso, afinal de contas. Não posso?

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Além de tudo, essa culpa que vem atrelada ao fato de estar sofrendo por um problema “menor”. De pouca importância.

Mas hoje, hoje vou me permitir e ser pessimista. E dizer: não faço ideia do que fazer e nada de bom vai sair disso. Estou parada.

Estou paralisada, na realidade. Não sei qual caminho escolher desses dois que estão na minha frente. Um deles claramente vai me fazer sofrer mais, e muito provavelmente não leva a lugar algum. O outro também vai doer, mas no fim dele há melhores chances. A razão me diz pra escolher esse caminho, claro. Não é preciso ser muito inteligente pra tomar essa decisão. Mas não estamos falando de inteligência aqui.

Estamos falando de coisas muito mais abstratas e que dividem cabeça e coração. Quando os dois vão pra direções completamente opostas. O que eu tenho que fazer versus o que eu quero fazer. E eu não quero tomar essa decisão.

Queria poder só ficar paradinha aqui, em posição neutra, enquanto todo o resto se desenrola e eu posso ter um vislumbre melhor das coisas. Mas isso não vai acontecer. E eu tenho que escolher um dos caminhos.

Mas hoje eu não quero. Eu ainda não estou pronta. Então hoje eu vou sofrer. E eu vou falar: não sei o que fazer e está doendo. E ainda não consigo ver nada de bom no fato de estar sentindo isso.

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